4 maneiras de formar uma criança na vida sacramental usando a imaginação

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Um dos principais temas da minha formação na Universidade Franciscana de Steubenville foi que o cristão medieval teve uma compreensão muito mais rica da vida espiritual. Em sua experiência de vida, eles facilmente perceberam a presença de Deus em todos os aspectos, principalmente através do culto das relíquias, duras penitências e jejuns extremos. Mas nós, na modernidade, cada vez mais ignoramos nossa essência espiritual, não entramos em contato com nossa identidade; estamos em oposição a quem realmente somos e não queremos que isso nos defina. Como dizem as escrituras: “O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.” (Eclesiastes 1, 9)

Talvez o cristão Medieval, com sua visão de mundo sacramental valorizou mais sua humanidade.

A visão sacramental mundial não é o tudo ou nada, mas isso é um um aspecto fundamental para realmente viver uma vida de santidade. Nos tempos modernos, é possível ainda trabalharmos juntos para alcançarmos isso de volta, vivendo a violência de coração para santificar todas as nossas tarefas.

Quando meu marido e eu começamos a discutir ideias para a nossa vida em família, pensamos em como criar nossos filhos em uma vida sacramental vivida por nós e por eles, todos os que tivéssemos. Agora que nós temos quatro filhos, acho que podemos dizer com segurança que algumas das nossas metas estão funcionando: nossos filhos têm uma essência sacramental.

O lugar onde os seres humanos processam a sua experiência do mundo está em suas imaginações. Na imaginação, a nossa experiência sensorial e nossa racionalidade se encontram. A imaginação ativa é essencial para experimentar a verdadeira sacramentalidade do mundo e viver de uma maneira verdadeiramente humana. Com uma boa imaginação, é fácil de experimentar Deus em nossas vidas mundanas diárias. E com uma boa imaginação, uma pessoa é incapaz de reduzir o mundo a uma ciência pura, sendo essa a mentalidade que a sociedade dominante tem abraçado.

Como fizemos isso?

1)  Vida litúrgica

Começamos a nível litúrgico, destacando o ano litúrgico em casa: Advento, Natal, tempo depois da Epifania, Quaresma, Páscoa, Pentecostes, o tempo comum depois de Pentecostes, e as solenidades. Nós usamos a oração familiar para marcar a mudança, e para marcar o tempo litúrgico do ano, uma coroa do Advento e práticas quaresmais especiais. Nossa árvore de Natal fica montada por toda a temporada de Natal (até a Apresentação do Senhor no dia 2 de fevereiro).

O nosso objetivo, como pais, é que o sentido dessas práticas se estenda ao cotidiano e atividades mais corriqueiras deles. Queremos que eles tenham a experiência mais verdadeiramente humana da vida, em que eles experimentam o mundo em torno deles como algo com o qual eles estão em um relacionamento. Assim, construímos uma rotina que incentiva esse crescimento.

2) Dando espaço e estrutura para a imaginação

A rotina diária é bom para o desenvolvimento de uma vida de virtude, e embora possa parecer artificial, o incentivo pode fazer com que isso cresça. Assim como quando queremos desenvolver uma virtude, praticamos certos hábitos, a fim de alcançá-la, portanto, devemos fazer o mesmo para a imaginação.

É mais fácil para as crianças a imaginar isso jogando, pois é algo que desperta o interesse delas, sendo um grande favorecimento, mas nossa rotina familiar não permite que passemos o dia inteiro jogando por conta das atividades escolares, que são suas prioridades.  Mas conseguimos com uma conversa no café da manhã, na lição de história, indo pra escola de manhã, lendo um conto de fadas no almoço, ou mesmo na hora de dormir com a oração familiar e uma grande história pra dormir.

3) Limitar o uso de telas

Eu li inúmeros estudos que têm afirmado que as telas são prejudiciais para as crianças. Elas impedem o desenvolvimento do cérebro; e diminuem a imaginação. Também são extremamente viciantes. Então, dissemos para os nossos filhos, sem telas antes dos dois anos!

Apenas começamos a ter noites de cinema da família a partir dos 3 anos de idade, e quando o fazemos, você pode ter certeza de que fomos muito criteriosos sobre qual filme que escolhemos; nós queremos um bom conteúdo e boa arte. Quando usamos telas, procuramos mostrar pinturas famosas e artefatos históricos.

Na sequência da limitação de telas, veio a extrema limitação de brinquedos eletrônicos. Nós costumamos pedir que nossos familiares não presenteiem nossos filhos com brinquedos eletrônicos: sem luzes, sem ruído. Quando uma criança brinca com um eletrônico, realmente não deixa espaço para a imaginação. É somente um  jogo receptivo. Mantém eles felizes, tranquilos, e se divertem, mas a que custo?  Os jogos favoritos dos meus filhos são com brinquedos muito simples. Eles fazem coisas com papel e fita, constroem coisas com peças de Lego e blocos, criam elaborados jogos com lençóis e cobertores, desenvolvem todos os tipos de jogos com materiais que seriam descartados, brincam com paus e pedras como brinquedos. Todas estas coisas exigem e imaginação ativa.

4) Encher suas mentes com coisas boas

Ajudando nossos filhos a  não se manterem passivamente entretidos, como apela a necessidade moderna, levamos eles para a missa dominical e alguns dias da semana desde seus nascimentos. Temos tempo regulares de  oração familiar, e lemos as Escrituras regularmente em casa.

Em um nível mais secular, também lemos livros clássicos infantis. Os mais clássicos no idioma Inglês são as rimas. Eles dão uma grande base na linguagem. Na sequência do que lê-los, temos lotes de contos de fadas clássicos, a partir do qual eles aprendem sobre a virtude, sobre o que é bom e mau. Também expomos eles ao mundo de magia e fadas.

A literatura infantil exprime as formas como eles respondem a situações diárias, mesmo sem pensar nisso. Então, se você tem um personagem que luta com raiva em uma história e nela demonstra bem como ele controla o sentimento, isso entra em sua vida. E é por isso que sou tão cauteloso quanto à quantidade e qualidade do que leem.

Também introduzimos nossos filhos para belas pinturas e música clássica, não através de meios orientados para a idade, tais como brinquedos com música em si, mas reproduzindo obras inteiras de música e mostrando-lhes pinturas. Nós também os levamos para ouvir música de verdade e museus de arte para ver arte em pessoa. Papa Francisco em Amoris Laetitia tinha uma longa seção sobre a paternidade, e em que ele explicou:

“Os pais também são responsáveis pela formação da vontade de seus filhos, promovendo bons hábitos e uma inclinação natural para o bem. Isto implica que apresenta certas maneiras de pensar e agir como desejável e útil, como parte de um processo gradual de crescimento.” (AL 294 )

Por estar consciente da imaginação estamos ajudando nossos filhos a desenvolver, e promover bons hábitos e incliná-los para o bem. Minha esperança para meus filhos é que a vida que eles experimentam crescendo em nossa casa vai cultivá-los na vida de virtude. Eu quero que eles tenham a base que precisam para se tornarem bons, pessoas santas, e para ser capaz de discernir claramente o que Deus quer para eles em suas vidas. E quando eles aprenderem a encontrá-Lo em tudo, vão sempre estar cientes Dele e de Seu amor.

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Susanna Spencer
Susanna, tem mestrado em Teologia na Universidade Franciscana de Steubenville, mora em St. Paul, com o marido e quatro filhos. Ela gasta seu tempo apreciando liturgia, cozinhando, lendo literatura, cuidando de casa, e dos seus filhos. Escreve sobre tudo isso em seu blog Living With Lady Philosophy.