Conheça a verdadeira origem do Santo Rosário

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Pixabay / Domínio Público

Ao falarmos de Rosário não nos referimos necessariamente ao cordão de pequenas contas. Alguns dizem que o rosário é uma cópia do Mala ou também conhecido como rosário budista e outros que tem origens pagãs.
Apesar dos cordões com contas terem semelhanças e servirem para contarem orações não quer dizer que este ato indique ou que se pronuncie as mesmas orações e com a mesma finalidade.

O Mala, cordão de contas utilizado pelos budistas, contém 108 contas relacionadas astrologicamente às 12 casas astrológicas multiplicadas pelo 9, número de planetas no nosso sistema solar. Eles chamam de mantra cada oração que fazem.

O rosário para os cristãos católicos é a oração das Ave Marias com o Pai Nosso e pode ser feito com dezenas, num anel, com o rosário ou até contando nos dedos das mãos. A palavra Rosário significa Coroa de Rosas.

ORIGEM DO ROSÁRIO

Muitos acreditam que foi São Domingos de Gusmão o responsável pela criação do rosário, mas sua origem é anterior ao tempo deste Santo, que na verdade foi um grande propagador desta devoção. A oração do Rosário é composta de duas formas de oração, a mental e a verbal. Mental, porque se medita as passagens da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Verbal, porque se reza a Ave Maria e o Pai Nosso.

O Rosário como conhecemos é composto de 20 Pai Nossos e 200 Ave Marias, com 4 mistérios, gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos. No entanto, não era assim na Antiguidade. Diz-se que nos povoados perto dos monastérios recitavam um conjunto de 150 orações, geralmente Pai Nossos, imitando a recitação dos 150 salmos da Bíblia feita pelos monges.

A substituição dos Pai Nossos pelas Ave Marias deu-se por volta do século XI, época em que esta oração se popularizou. Era então composta apenas da primeira parte que conhecemos. Referindo-se às passagens bíblicas da Anunciação do Nascimento de Jesus pelo Arcanjo Gabriel a Maria: Ave Maria, cheia de graça o Senhor é contigo (Lc 1,28). A outra passagem bíblica é a saudação que o Espírito Santo inspira Isabel quando Maria vai visitá-la: Tu és bendita entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre (Lc 1, 42). A segunda parte da Ave Maria, que começa com Santa Maria Mãe de Deus, foi adicionada pelo Papa São Pio V em 1558.

AS CONTAS

Para contar as Ave-marias no princípio, eram utilizadas sementes atreladas a uma corda em grupos de 10, sem dúvida assim era mais fácil carregar para a oração. O nome de rosário para esta oração só foi adotado no século XIV.

O nome latino Rosarium, ou jardim de rosas, se aplicava a canções de amor medievais, inspirando os cânticos de amor a Maria. No séc. XIV, as 150 ave Marias se dividiram em 15 dezenas de 10 Ave Marias, cada uma antecedida por um Pai Nosso. A meditação dos mistérios da vida de Cristo e Maria viriam mais tarde.

Criação dos Mistérios do Rosário

Por volta de 1400, Adolph de Essen compôs uma obra intitulada: O Pequeno Rosário de Santa Maria, onde sugeria meditar a vida de Cristo enquanto se recitava as orações. Depois, no séc. XV, Alan de la Roche compôs 150 temas para meditação e, aconselhou, que se meditasse sobre a Encarnação nas primeiras 50 Ave Marias, sobre a Paixão nas seguintes 50 e sobre a Ressurreição, Ascensão e Glorificação nas últimas 50. Esta forma deu origem aos mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos como conhecemos hoje. Os mistérios da luz foram adicionados pelo Papa São João Paulo II no ano de 2002.

O Papa Pio V instituiu a festa de Nossa Senhora do Rosário em 7 de outubro de 1572. Em 1883, o Papa Leão XIII determinou que o mês de outubro todo fosse dedicado ao Rosário. Originalmente a reza do rosário era sem a ladainha, foi o Papa Leão XIII em 1 de setembro de 1883, quem recomendou concluir durante o mês de outubro (mês do Rosário) a recitação do Rosário com o canto das cantilenas lauretanas, aquelas próprias do Santuário de Loreto. Assim se pensou que as cantilenas eram parte da oração do Rosário, quando na realidade são um ato de culto em si mesmas.

Publicado originalmente no site de Padre Modesto Lule.

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