O que realmente é a Teologia da Libertação?

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O então Cardeal Ratzinger, em 1984, escreveu “Algumas observações preliminares sobre a teologia da libertação”, documento em que de maneira brilhante faz uma análise sobre a Teologia da Libertação, ideologia que estava ganhando forças na Igreja, principalmente na América Latina.

O Cardeal escreveu que “a gravidade da teologia da libertação não é avaliada de modo suficiente; não entra em nenhum esquema de heresia até hoje existente; É A SUBVERSÃO RADICAL DO CRISTIANISMO, que torna urgente o problema do que se possa e se deva fazer frente a ela”.

O Papa Emérito Bento XVI escreveu ainda que a TL “é uma nova versão do Cristianismo, segundo o Racionalismo do protestante Rudolf Bultman e do Marxismo”, que a seu modo tenta por meio de uma linguagem teológica e até dogmática revestir de uma certa mística na tentantiva de disfarçar seus erros e acabar confundindo os fiéis.

O Cardeal aponta para o perigo de na teologia da libertação ter traços de verdade e por isso torna-se ainda mais perigosa. Um erro é tanto mais perigoso quanto maior for a proporção do núcleo da verdade assumida”.

O Cardeal Ratzinger apresenta ainda como ameaça a tentativa da Teologia da Libertação se apresentar como “uma nova hermenêutica da fé cristã, quer dizer, como nova forma de compreensão e de realização do cristianismo na sua totalidade“.

Ou seja, a TL deseja se apresentar como a nova forma de se viver o cristianismo e é por isso que sua proposta é a de mudar “todas as formas da vida eclesial: a constituição eclesiástica, a liturgia, a catequese e as opções morais”.

Toda a tentativa de mudança busca a libertação não no sentido escatológico, de Cristo Ressuscitado que nos liberta do pecado e nos reconcilia com o Pai, mas a libertação como “um conceito político e o guia rumo à libertação deve ser um guia para a ação política”.

Clodóvis Boff, um dos fundadores da TL no Brasil, irmão de Leonardo Boff, em entrevista à Folha de São Paulo, disse que o Cardeal Ratzinger tentou ajudá-los ao afirmar que a Libertação Espiritual era superior a libertação social, mas que os líderes do movimento escolheram permanecer com o ideal da Teologia da Libertação, marcado pela ideologia marxista.

Clodóvis conta ainda que Cristo sempre aparecia em segundo plano nos ideais da TL. A revolução, a libertação do proletariado, o rompimento com a hierarquia, se sobrepunham ao Evangelho. Isso fez com que ele acabasse rompendo com esse ideal.

São João Paulo II em seu pontificado criticou e combateu veementetemente essa teologia que agia como um câncer dentro da Igreja. Porém, ele chamava de verdadeira Teologia da Libertação a participação e o protagonismo da Igreja diante das realidades sociais, buscando atuar em uma verdadeira libertação, levando o homem a um encontro com a pessoa de Jesus Cristo, e assim com a vida transformada pelo encontro com Cristo, torna-se agente de uma transformação concreta da sociedade.

“A libertação, também no sentido social, parte do conhecimento da verdade”, afirmou João Paulo II, que disse ainda que “a teologia da libertação deve sobretudo ser fiel a toda a verdade sobre o homem, para evidenciar a realidade que é esta liberdade ‘para a qual Cristo nos libertou’.

“É necessário chamar com os devidos nomes a injustiça, a exploração do homem pelo homem, ou a exploração do homem por parte do Estado, das instituições, dos mecanismos dos sistemas econômicos e dos regimes, que operam algumas vezes sem sensibilidade. É preciso chamar com os devidos nomes toda a forma de injustiça social, discriminação e violência, infligidas ao homem contra o corpo, contra o espírito, contra a sua consciência e contra as suas convicções. Cristo ensina-nos especial sensibilidade para com o homem, para com a dignidade da pessoa humana, para com a vida humana e o corpo humano. É esta sensibilidade que dá testemunho do conhecimento daquela verdade que nos torna livres (cf. Jo 3, 32)”, afirmou João Paulo II.

Ainda no Papado de João Paulo II, a partir dessa inquietação da Igreja em dar uma resposta aos avanços da Teologia da Libertação com raízes marxista, a Comissão de Justiça e Paz começou a compilar o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, que foi publicado no ano de 2004, contendo os principais ensinamentos dos documentos de cunho social da Santa Igreja.

Bento XVI, já Papa, falou sobre suas intervenções enquanto Cardeal. Disse que o “sentido da intervenção do magistério não foi o de destruir o compromisso em prol da justiça, mas de orientar pelos caminhos justos e também no respeito pela justa diferença entre responsabilidade política e responsabilidade eclesial”.

Em outra oportunidade Bento XVI disse que a Teologia da Libertação com alguns de seus teólogos trouxeram consigo ”principios enganadores” o que gerou como frutos a “rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia”. Mas que esforçando-se é possível interpretá-la com aspectos positivos; “é possível interpretá-la muito bem”. 

Porém, diante de tantos estragos que a TL fez, Bento XVI deixou um questionamento: “será que o uso dessa expressão ajudaria a Igreja a responder ao desafio da justiça social na América Latina“?

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