5 razões para um católico não aderir ao liberalismo

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Depois de mostrar 5 razões para um católico não ser comunista, hoje queremos compartilhar 5 razões para um católico não comungar com o liberalismo.

1) Tem as mesmas bases do socialismo: buscam criar o Paraíso na Terra, sem Deus.

Tanto o liberalismo, quanto o socialismo (odiado e repudiado por nós católicos), tem como base o materialismo, que nega, ou melhor, deixa para segundo plano a religião, a Santa Igreja e Deus. Essa tentação de “ter para ser feliz” todos nós passamos, até mesmo Nosso Senhor Jesus, quando tentado pelo diabo no deserto:

O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe: Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares.” (Mt 4, 8-9)

Ainda hoje, para ser feliz na Terra, tendo tudo o que quiser, Satanás exige que o adore, traindo os preceitos, as leis, a moral e os valores da nossa fé.

2) Foi fortemente condenada pelo magistério da Santa Igreja.

Os principais documentos que recomendo ler contra o liberalismo são:

a) O liberalismo propõe a separação entre Estado e Igreja, nesse aspecto ele vai contra a Bula Unam Sanctam de Bonifácio VIII

b) A encíclica Mirari Vos de Gregório XVI, condenando os erros do liberalismo católico e do tradicionalismo do Padre Felicité de Lammenais, de Montalembert e de Lacordaire.

c) A Encíclica Quanta Cura e o Syllabus de Pio IX.

d) A Encíclica Libertas Paestantissima, Rerum Novarum Humanum Genus de Leão XIII. A Humanum Genus condena a ação da Maçonaria, que fez a Revolução Francesa e o Liberalismo.

e) A Carta Apostólica Notre Charge Apostolique,  a encíclica Pascendi de São Pio X contra os erros do Sillon.

f) A Mortalium Animos de Pio XI contra o liberalismo religioso expresso no ecumenismo modernista.

3) O liberal idolatra a sua liberdade.

O liberal deposita sua esperança na “liberdade” e na absoluta soberania do indivíduo com inteira independência de Deus e da sua autoridade; liberdade de pensamento sem limitação alguma em política, em moral ou em religião.

Nós não podemos fazer tudo, nossa liberdade não é o poder de fazer qualquer coisa que se quer. Mas, a liberdade é, pois, mais um poder moral do que um poder físico, é um dever e não um poder.

“Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.” (1Cor 6,12)

4) O liberalismo moral é um atentado à dignidade humana.

O liberalismo moral tem como base dois princípios:

a) O Princípio da Liberdade Pessoal Absoluta, que considera moralmente permissível toda e qualquer conduta, desde que ela não cause um mal direto a quem não consentiu nessa conduta;

b) O Princípio da Tolerância Absoluta, que nos obriga a tolerar toda e qualquer conduta dos outros, desde que essa conduta não cause um mal direto a quem não consentiu nela.

Pensamos as vezes que alguns males como o aborto, a prostituição, pornografia, o tráfico de entorpecentes, etc, é fruto de uma sociedade que teve a moral destruída pelo ideais marxistas. Entretanto, algumas empresas adeptas dos ideais liberais financiam toda essa podridão que destrói nossas famílias e consequentemente nossa sociedade.

5) O sistema que a Igreja propõe é outro!

A Santa Igreja não propõe um sistema econômico político perfeito para os povos, muito menos “tem uma receita pronta de como montar um Estado, um governo ou uma administração. Ela simplesmente ‘propõe princípios de reflexão, apresenta critérios de juízo, orienta para a ação’”(CIC  2423). Segundo o Magistério, a base da sociedade não é o Estado, nem a Economia, mas a família, por isso devemos lutar por ela com unhas e dentes.

É tudo muito simples na teoria, mas a execução é realmente complicada. A educação para as virtudes mudaria a sociedade completamente. A sociedade não obcecada com o dinheiro, mas baseada na virtude, nos conselhos e no amor familiar, para a construção de uma “Civilização de amor”. Assim fala o Catecismo:

“A Igreja tem rejeitado as ideologias totalitárias e ateias associadas, nos tempos modernos, ao ‘comunismo’ ou ao ‘socialismo’. Além disso, na prática do “capitalismo”, ela recusou o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano. A regulamentação da economia exclusivamente por meio do planejamento centralizado perverte na base os vínculos sociais; sua regulamentação unicamente pela lei do mercado vai contra a justiça social, ‘pois há muitas necessidades humanas que não podem ser atendidas pelo mercado’. É preciso preconizar uma regulamentação racional do mercado e das iniciativas econômicas, de acordo com uma justa hierarquia dos valores e em vista do bem comum.”  (CIC, 2425)

[Leia também: 5 razões para um católico não ser comunista]

Bruno Loura é seminarista da arquidiocese do Rio de Janeiro é historiador formado pela UFRRJ, e estuda filosofia na PUC RJ.