“Não é um objeto morto”: o dia em que um padre acreditou na Eucaristia

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“Bem-aventurado é aquele que não se escandaliza por minha causa”. (Mt 11,6)

Nunca esquecerei deste dia. Era por volta de 2006-2007. Foi só uma questão de tempo para eu decidir fazer uma confissão geral no Centro Newman, no campus da Universidade do Missouri, por causa da intercessão de Nossa Senhora.

Ainda muito perplexo devido a uma série de eventos que tinham acontecido na minha vida, Deus fez com que eu fosse parar na igreja naquele dia. Para ser honesto, não consigo me lembrar do porquê fui para lá ou como descobri o local. Acredito que tenha sido para receber o sacramento da confissão de novo.

O que eu lembro é estar sentado em um dos bancos no meio da igreja, com apenas outras poucas pessoas ao redor.

O Centro Newman é administrado pelos padres dominicanos, e um deles se sentou silenciosamente na parte de trás, olhando para o altar. Olhei ao redor às poucas pessoas sentadas nos bancos da igreja e continuei olhando para o padre, me perguntando o que ele estaria fazendo.

Após a terceira ou quarta vez olhando para o padre, achei que ele tenha ficado um pouco perturbado. Ele provavelmente se perguntou porquê eu não estava olhando para o altar.

E é o seguinte: o motivo de eu não estar olhando para o altar é porque eu não sabia o que estava acontecendo ali.

Por qualquer razão (e provavelmente havia inúmeras), eu estava cego para a realidade. Naturalmente, porém, percebendo o fato do padre olhar para mim, eu me virei… em parte porque não queria ser um incômodo para ele.

Me voltando para a direção geral de todos na igreja, olhei para o altar. Quando fiz isso, notei que havia um instrumento dourado com alguma coisa em pé no meio dele, e isso chamou minha atenção.

Finalmente, como se estivesse em câmera lenta, olhei no meio do instrumento dourado e vi a Eucaristia.

Mais uma vez, sendo completamente honesto com você, eu estava extramemento inseguro sobre o que acreditar sobre a Eucaristia até aquele momento. Estudei em colégios católicos a maior parte da minha vida e servi no altar por muitos anos. Por alguma razão, a Eucaristia não era uma realidade viva no meu entendimento.

Eu era uma daquelas pessoas que tratavam a Eucaristia, como o Senhor disse uma vez a Santa Faustina, como um “objeto morto” (Diário, 1385). Então eu experimentei o “estalo eucarístico”.

O estalo eucarístico não foi audível, mas se é que posso falar, foi uma das coisas mais barulhentas que já aconteceu comigo.

Do nada, como no instante de um estalo, meus olhos se abriram e soube exatamente o que todos estavam fazendo na igreja: estavam adorando e louvando Jesus Cristo, o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.

Olhando para o Senhor Eucarístico no ostensório, agora eu sabia que havia uma Pessoa lá. Sabia que essa Pessoa era tão real quanto qualquer pessoa respirando perto de mim.

Para minha surpresa, ouvi profundamente na minha alma: “A Eucaristia é uma Pessoa”. Aquele momento me marcou tão fortemente que, eventualmente, comecei a participar da missa diariamente, fazer todos os dias uma hora de oração, entrei no seminário e me tornei um padre católico. Fui ordenado há quatro anos.

O grande tesouro da minha vida é estar unido ao Senhor Eucarístico, seja recebendo-O no Santo Sacrifício da Missa ou passando íntimas horas com Ele no tabernáculo ou na adoração.

Eu compartilho esta história porque quero que cada católico na face da terra experimente este estalo eucarístico. Sei por experiência que muitas, muitas pessoas, mesmo aquelas que vão à Missa aos domingos, ainda não tiveram esta experiência, por diversos motivos.

Os passos que sugiro são simplesmente os que eu mesmo fiz: vá e faça uma sincera e profunda confissão, receba Jesus o máximo que puder em estado de graça, e finalmente, passe um tempo com Ele além da missa, seja no tabernáculo ou em uma adoração numa capela próxima a você.

Aproveitar um tempo com Jesus fora da missa vai despertá-lo para a realidade que Ele é a Pessoa com quem você deve viver este momento, não um mero objeto, mas um vivo e glorioso Senhor!

“Bem-aventurado é aquele que não se escandaliza por minha causa”. (Mt 11,6)

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