Negar comunhão a políticos pró-aborto não é questão política, mas para a salvação das almas, diz bispo

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Créditos: Faithful Shepherds/Reprodução

Negar a comunhão a políticos que defendem o aborto não é uma questão política e sim pastoral, afirmou o bispo de de Gallup (EUA), James Wall. O assunto tem sido bastante comentado desde a eleição do presidente democrata Joe Biden, que se diz católico, mas cujo governo tem incentivado e aumentado o acesso ao aborto dentro e fora do país.

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A fala do bispo de Gallup foi uma resposta a um artigo publicado pelo bispo de San Diego, Robert McElroy, que dizia que o sacramento estava sendo usado “como arma para fins políticos”.

Para Robert McElroy, está-se criando uma “teologia da indignidade” para receber a comunhão, e que negá-la a políticos que defendem o aborto é um critério “extremamente ampliado” que “aplica sanções seletiva e incoerentemente”.

A resposta de James Wall foi que, de acordo com o Direito Canônico, o aborto é um pecado que gera excomunhão automaticamente e que “um político que protege ativamente o aborto e se esforça para torná-lo mais acessível também coloca em risco a sua salvação”.

“Certamente não é ‘ampliado’ colocar esse mal na categoria de pecado grave”, completou. “Uma pessoa consciente de seu pecado grave não deve celebrar a missa ou receber o corpo de Cristo sem prévia confissão sacramental”.

“Embora eu não suponha saber o que está na mente e no coração de meus irmãos bispos, não sou motivado por fins políticos. Nem eu nem aqueles com quem discuti o assunto. Nossa preocupação não é política, e sim pastoral. É para a salvação das almas. Essa questão tem ramificações políticas, mas isso não é uma desculpa para fugir do tema neste momento crucial”, disse Wall.

E não poupou as palavras: “Falar a verdade às vezes parece criar divisão, mas muitas vezes simplesmente expõe a divisão que já existe. Se os católicos não concordam em proteger os indefesos por nascer, então na melhor das hipóteses a nossa unidade é superficial. E na pior delas, é ilusória“.

“Quando os bispos se pronunciam segundo suas consciências e ouvem os pontos de vista dos outros eles promovem o diálogo genuíno. Isso é um passo necessário no caminho para a unidade”.

“O bispo McElroy examina os argumentos para negar a comunhão aos políticos pró-aborto e pergunta: Quantos líderes políticos católicos de cada partido poderiam passar no teste? ‘Eu acho que esta é uma pergunta errada’. Jesus não estava interessado em números, mas na salvação de almas. Uma pergunta melhor seria: Fiz absolutamente tudo que podia como bispo para tentar trazer todos os políticos católicos pró-aborto em meu rebanho de volta a um estado de graça?”

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