Durante a violenta perseguição anticatólica no México nas décadas de 1920 e 1930, conhecida como Guerra Cristera, milhares de fiéis, leigos e consagrados foram presos, torturados e mortos simplesmente por viverem a fé. Entre eles, não estavam apenas padres ou religiosos — mas também trabalhadores simples, pais e mães de família, jovens e idosos, unidos por uma só convicção: Jesus Cristo é Rei.

Um desses mártires silenciosos da história foi Florentino Álvarez, sapateiro e presidente do Sindicato Católico de Sapateiros de León, Guanajuato.

Um sindicato católico que incomodava o poder

Em uma época em que o governo mexicano perseguia abertamente os católicos, proibia missas públicas, confiscava templos e expulsava padres, os sindicatos operários de inspiração cristã também passaram a ser vistos como ameaça ao regime. Eles defendiam não só os direitos trabalhistas, mas o valor da fé como base da dignidade humana.

No dia 7 de agosto de 1927, Florentino dava uma conferência com foco social e espiritual a seus colegas de profissão, quando o general Daniel Sánchez entrou nos escritórios acompanhado de soldados armados.

— Vocês são daqueles canalhas que gritam “Viva Cristo Rei”? — interrogou o general, com arrogância.

Sim, senhor, gritamos “Viva Cristo Rei” — respondeu Florentino, sereno. — Mas não somos canalhas. Somos trabalhadores honestos. E esta cidade nos conhece.

O general então blasfemou contra Cristo e acusou o grupo de conspirar contra o governo. Florentino respondeu com firmeza:

“Você mente. Todos nós, e você mesmo, sabemos que Cristo é Rei. E porque Ele é Rei, nos reunimos aqui — não para conspirar, mas para buscar nosso bem-estar moral e econômico.”

A agressão, o brado e a prisão

Furioso com a ousadia do sapateiro, o general deu-lhe uma violenta bofetada, fazendo-o sangrar. Os trabalhadores se levantaram em defesa do presidente, mas Florentino os conteve com um gesto e proclamou em voz alta:

“Viva Cristo Rei!”

O brado foi repetido com força por todos os presentes.

Imediatamente, os militares prenderam todos os membros da associação, sem processo, mandado ou justificativa. Durante três dias, os católicos ficaram amontoados em celas sujas e abafadas.

Mesmo ali, em meio ao medo e à incerteza, Florentino encorajava seus companheiros com palavras de fé:

“Que fim melhor para nossa vida do que oferecê-la em holocausto a Cristo Rei?”

A vigília, o cântico e o martírio

Na noite do 9 de agosto, transformaram a cela em um santuário. Rezaram como quem participa de uma vigília de Adoração Noturna — devoção que muitos ali já tinham vivido com fervor.

Na madrugada do dia 10, um soldado chamou em voz alta:

Florentino Álvarez!

Presente! — respondeu o mártir, de pé.

Despediu-se dos colegas com serenidade:

“Chegou a minha hora. Rezem por mim. E não se esqueçam do que vivemos juntos em nossas reuniões. Eu vou pedir por vocês.”

Amarrado e escoltado, foi levado a pé até fora da cidade. Durante o trajeto, rezava em voz alta e cantava:

🎶 “Coração Santo, Tu reinarás!” 🎶

Mesmo sendo agredido pelos soldados, não parava de cantar:

“Você reinará!”

Um brado que ecoa até hoje

Ao chegar ao local da execução, gritou mais uma vez:

“Viva Cristo Rei! Viva a Virgem de Guadalupe!”

Com esse brado, Florentino selou sua fidelidade até o fim. Uma rajada de balas o levou à glória — e seu nome entrou para a lista dos incontáveis cristeros que proclamaram a realeza de Cristo com a própria vida.

Um modelo para os trabalhadores de hoje

Florentino não era político, nem teólogo, nem soldado. Era um simples sapateiro — mas com fé de rei.

Seu testemunho nos lembra que Cristo quer reinar também em nossos ambientes de trabalho, em nossas decisões sociais, em nossas associações e sindicatos. Ele não reina apenas no sacrário, mas no coração daqueles que O confessam sem medo.

Que o exemplo de Florentino inspire coragem, integridade e fé em todos os católicos do nosso tempo.

“Feliz o operário fiel que, com as mãos sujas de trabalho, oferece sua vida por amor ao Rei do Universo.”

Viva Cristo Rei!

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