Pai do menino Henry recebe carta do Papa Francisco e se diz fortalecido na fé

Créditos: Arquivo Pessoal/ Vatican News

Leniel Borel, pai de Henry (4 anos), que foi morto no último dia 8 de março, e a avó Noeme Camargo receberam uma carta do Papa Francisco lamentando o trágico acontecimento e dando-lhe palavras de conforto.

A mensagem, que é assinada pelo Monsenhor Luigi Roberto Cona (assessor para assuntos gerais da Secretaria do Vaticano), é uma resposta da carta que uma tia de Leniel escreveu ao pontífice contando sobre o caso.

“O Santo Padre recebeu a carta, triste e aflita que lhe enviou no dia 14 deste mês de abril, contando nela as horas amargas que vive o povo brasileiro e também a loucura humana que levou ao massacre do pequenino Henry Borel”, começa o documento.

O Monsenhor ressalta que “o Papa Francisco incumbiu-me de assegurar a sua paterna vizinhança e solidariedade ao pai Leniel Borel e à avó Noeme Camargo, confiando-os à proteção da Virgem Maria com os desejos bons que cada um traz no coração: deixem-se reconhecer como amigos de Jesus; a todos chamem amigos e, de todos, sejam amigos”.

E faz um apelo: “O Santo Padre conta com a senhora Noeme e o senhor Leniel para contrastarem a cultura da indiferença e do ódio que sentem crescer ao seu redor; não se deixem contaminar pelo ódio, transformando-se à sua imagem e semelhança. Sejam do número das pessoas que se recusam a entrar no circuito do ódio, que se recusam a odiar aqueles que lhes fizeram mal, dizendo-lhes: «Não tereis o meu ódio!» Deste modo ajudarão a parar o mal, como fez Abraão quando pediu a Deus para não exterminar os justos com os culpados (cf. Génesis t8, 23-32).

“Basta-lhes uma só pessoa boa, para não odiarem todas as pessoas”, continua a mensagem. “É quase um milagre que uma pessoa ferida, como o senhor Leniel e a senhora Noeme, possa encontrar a coragem de recusar ter ódio e o afastar do seu coração; mas é um milagre que lhe permite viver em paz e ajudar a salvar o mundo de si mesmo.

Ao final da carta, “o Papa Francisco concede-lhes a Bênção Apostólica”.

Após receber a mensagem, Leniel Borel comentou: “No momento mais difícil de nossas vidas, as palavras de amor e solidariedade transmitidas pelo Papa Francisco nos fortalecem na fé e nos apoiam ainda mais a sermos imitadores de Cristo. A carta que recebemos só ratifica que estamos no caminho certo de se opor ao sentimento de vingança, ódio e indiferença, não nos indignando de forma alguma para fazer o mal. Henry com certeza está feliz que não estamos nos vencendo pelo mal, mas vencendo o mal com o bem”, afirmou Leniel.

Confira a carta na íntegra:

“Vaticano, 24 de abril de 2021

Prezada Senhora,

O Santo Padre recebeu a carta, triste e aflita que lhe enviou no dia 14 deste mês de abril, contando nela as horas amargas que vive o povo brasileiro e também a loucura humana que levou ao massacre do pequenino Henry Borel. E, neste momento, seus familiares sentem que precisam de fortalecer a sua fé unindo os seus corações ao coração do Sucessor de Pedro, cuja fé conta com um apoio especial de Jesus (cf. Lc 22, 32) para poder confirmar a fé dos seus irmãos.

Considerando o caso dramático referido na missiva, o Papa Francisco incumbiu-me de assegurar a sua paterna vizinhança e solidariedade ao pai Leniel Borel e à avó Noeme Camargo, confiando-os à proteção da Virgem Maria com os desejos bons que cada um traz no coração: deixem-se reconhecer como amigos de Jesus; a todos chamem amigos e, de todos, sejam amigos.

O Santo Padre conta com a senhora Noeme e o senhor Leniel para contrastarem a cultura da indiferença e do ódio que sentem crescer ao seu redor; não se deixem contaminar pelo ódio, transformando-se à sua imagem e semelhança. Sejam do número das pessoas que se recusam a entrar no circuito do ódio, que se recusam a odiar aqueles que lhes fizeram mal, dizendo-lhes: «Não tereis o meu ódio!» Deste modo ajudarão a parar o mal, como fez Abraão quando pediu a Deus para não exterminar os justos com os culpados (cf. Génesis t8, 23-32).

Basta-lhes uma só pessoa boa, para não odiarem todas as pessoas. É quase um milagre que uma pessoa ferida, como o senhor Leniel e a senhora Noeme, possa encontrar a coragem de recusar ter ódio e o afastar do seu coração; mas é um milagre que lhe permite viver em paz e ajudar a salvar o mundo de si mesmo. Propiciadora de luz e assistência do Alto para a senhora Noeme e para o senhor Leniel Borel e quantos vivem ao seu redor, o Papa Francisco concede-lhes a Bênção Apostólica. Valho-me do ensejo para lhe testemunhar meus sentimentos de fraterna estima em Cristo Senhor.

L. Roberto Cona
Mons. Luigi Roberto Cona
Assessor”.

Rezemos pelo conforto da família!

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