Cobrir as estátuas é uma tradição própria do Tempo da Paixão. Mas o que esse período realmente significa e por que é vivido dessa maneira?

Segundo a Catholic Answers:

“Tempo da Paixão: as duas semanas entre o Domingo da Paixão e a Páscoa. A última semana é a Semana Santa, enquanto a primeira é chamada pelos latinos de ‘Hebdomas Passionis’ e pelos gregos de ‘Semana das Palmas’ (por causa do domingo seguinte).”

O Tempo da Paixão começa no quinto domingo da Quaresma e se estende até o Sábado Santo.
Diversas tradições estão associadas a esse período, uma delas é cobrir estátuas, crucifixos e outros objetos sagrados.

O padre Chris Vorderbruggen respondeu no X à pergunta de um usuário sobre por que algumas igrejas cobrem suas estátuas e crucifixos antes da Páscoa.

A resposta geral é que isso nos permite concentrar melhor em Jesus no caminho rumo à Ressurreição, aprofundando mais esse tempo litúrgico.

No entanto, o autor original levantou a pergunta: “Por que nosso foco não está sempre em Jesus?”, insinuando que a Igreja Católica dá mais atenção à comunhão dos santos ou à Virgem Maria do que ao Senhor.

Sabemos que isso não é verdade, e o padre Chris dedicou um fio completo no X para explicar a “bela resposta, enraizada na profundidade da Quaresma e no coração de Cristo”.

O que você está vendo é uma antiga tradição chamada Tempo da Paixão”, começa o padre Chris.

Ele acrescenta que a maioria das igrejas de rito latino cobre as cruzes até a Sexta-feira Santa. As estátuas e imagens sagradas permanecem cobertas até a Vigília Pascal. Algumas paróquias as cobrem apenas durante a Semana Santa, em vez das duas semanas completas do Tempo da Paixão.

Por quê?

O padre Chris Vorderbruggen responde:

“Para comover a alma. Para preparar os olhos da fé. Para que a ausência pregue, em silêncio, o que muitas vezes as palavras não conseguem expressar.”

E continua:

“Durante o Tempo da Paixão, colocam-se véus — não para esconder Cristo, mas para preparar nossos corações para o mistério de seu sofrimento e de sua glória. Não é que a Igreja esteja menos centrada em Cristo nesse tempo; é que estamos sendo conduzidos mais profundamente a Ele.
Ao cobrir as imagens, os fiéis são convidados a caminhar com Jesus na dor. A Igreja retira sua beleza visível para que fixemos nosso coração na Beleza que agora está oculta: ferida, ensanguentada e prestes a ser crucificada por amor a nós.”

Em seguida, ele acrescenta uma nota sobre o significado da cor roxa do véu:

“Reflete tanto penitência quanto realeza. Recorda-nos que Cristo é Rei, mas um Rei coroado de espinhos. E que antes da Ressurreição vem a Cruz.”

Padre Chris Vorderbruggen esclarece que não se trata de negar Cristo, mas de uma profunda meditação sobre Ele. Explica que, ao cobrir as imagens sagradas, a Igreja nos convida a nos desprendermos das distrações e a direcionar todo o nosso coração para a Paixão de Jesus.

Ele conclui seu fio dizendo:

“Então, sim, as estátuas estão cobertas. Mas não, a Igreja não escondeu Cristo. Ela o colocou diante de você — mais claramente do que nunca — no silêncio de sua Paixão.”
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