Fulton J. Sheen acaba de se tornar o mais novo beato da Igreja Católica e o primeiro bispo nascido nos Estados Unidos a alcançar tal reconhecimento. Nascido em El Paso, Illinois, Sheen foi um dos mais célebres comunicadores católicos do século XX. Conhecido por seus programas de rádio e televisão, conquistou milhões de espectadores com sua maneira acessível de transmitir a fé e chegou a receber um Emmy Award em 1953.
Sua vida foi marcada pela pregação destemida do Evangelho, frases marcantes e amor à Eucaristia. Ele é considerado um "profeta" por ter pregado e ensinado coisas que ultrapassam seu tempo, e estas são algumas lições atemporais que podemos levar para a nossa vida hoje.
1- Use seu talento para evangelizar
Fulton Sheen era conhecido pela sua eloquência e pelo dom de ensinar e pregar a doutrina católica, tanto que o seu programa televisivo alcançava 50 milhões de espectadores, fazendo dele uma figura altamente carismática, que era respeitada e amada até mesmo nos meios seculares.
O beato Sheen soube reconhecer na comunicação um dos maiores dons que Deus havia lhe dado, usando-o para pregar o Evangelho e escrever mais de setenta livros, que até hoje inspiram e ensinam. Assim, seu testemunho nos recorda que também nós somos chamados a evangelizar usando nossos talentos e aptidões, certos de que estes nos foram dados para serem bem aproveitados e que podem ser caminho de santificação para nós e para os outros.
2 - Seja convicto no que você acredita
Se tem uma coisa que todos concordam é que Fulton Sheen pregava com autoridade e audácia. Mesmo falando de temas difíceis e até delicados para a sociedade do seu tempo, o bispo não era de meias palavras. Sempre pregou a verdade da Igreja com caridade, mas sem medo de ser fiel ao que acreditava. Adaptava a mensagem para o público, mas não o seu conteúdo.
Em um mundo de tantos "cancelamentos" e que muitos temem falar e defender o que acreditam por medo de serem julgados e sofrerem consequências, Fulton Sheen nos mostra que, com delicadeza e sinceridade, é possível dialogar com aqueles que pensam diferente sem comprometer a Verdade.
3 - A santidade é um caminho diário
Uma das frases mais conhecidas do beato Sheen é: "Você diz que não vai à igreja porque ela está cheia de hipócritas? Eu digo que você tem razão, mas venha mesmo assim; temos lugar para mais um." Com bom humor, ele convidava os que estavam afastados de Deus e da Igreja a retornarem focando não nos pecados e faltas dos outros, mas na graça divina disponível a todos.
Não é porque estamos "dentro da Igreja" que deixamos de ter pecados e viramos santos de um dia para o outro. Com sua mensagem, Sheen nos ensina que a santidade é uma decisão diária, e não acontece em um passe de mágica. Assim, é um caminho que trilharemos até o último dia das nossas vidas; as quedas virão (para nós e para os outros), mas é sempre tempo de recomeçar!
4 - A Igreja é você
Também em uma de suas populares frases, o beato Sheen ecoa uma das verdades mais bonitas da fé: a Igreja não é um edifício, mas cada um de nós: "Quem vai salvar a nossa Igreja? Não são os nossos bispos, não são os nossos padres e não são os religiosos. Cabe a vocês, o povo. Vocês têm a mente, os olhos e os ouvidos para salvar a Igreja. A missão de vocês é zelar para que os padres ajam como padres, os bispos ajam como bispos e os religiosos ajam como religiosos."
Longe de diminuir o papel dos ministros ordenados ou dar protagonismo apenas aos leigos, Sheen queria enfatizar que cada estado de vida e vocação tem seu lugar e papel na Igreja, e cabe a cada pessoa viver bem o seu chamado. Ainda que a Igreja seja feita de pessoas pecadoras, todo católico é chamado a dar testemunho e ser exemplo (dentro e fora dela), inspirando assim os demais a também serem fiéis ao que Deus os chama a viver.
5 - Jesus é o centro de tudo
Um dos fatos mais conhecidos do beato Fulton Sheen é o grande amor e devoção que ele tinha por Jesus Eucarístico. Desde os tempos de seminário, ele fez o propósito de passar uma hora diante do Santíssimo Sacramento todos os dias, e a cumpriu religiosamente, chegando até a morrer durante sua Hora Santa em 9 de dezembro de 1979.
Com seu testemunho, Sheen nos motiva a também nos decidirmos pela vida de oração e nos aproximarmos de Jesus e dos sacramentos. Porque de nada adianta termos dons, aspirações e boas iniciativas se Jesus não é a raiz e centro das nossas vidas. É do relacionamento com Deus que todas as nossas obras precisam nascer, e se assim o fazemos, os bons frutos serão uma consequência natural, como foi na vida de Fulton Sheen.
