“Bird Box” revela a pobreza espiritual da nossa cultura, de acordo com este Bispo

Bluegrass Films Chris Morgan Productions / Netflix / YouTube

Cuidado: Este artigo contém spoilers para o filme da Netflix “Bird Box”.

O filme Bird Box, baseado em um romance britânico de mesmo nome, começou a ser transmitido pela Netflix na época do Natal.

Estrelando Sandra Bullock e John Malkovich, trata-se de um thriller tenso que consegue, talvez a despeito de si mesmo, lançar uma luz considerável sobre a perigosa condição espiritual da cultura contemporânea.

A personagem de Bullock, Malorie, é uma pintora talentosa cujo trabalho reflete sua visão sombria da vida e sua incapacidade de manter conexões reais com outras pessoas. O filme começa com Malorie grávida, embora ela não esteja morando com o pai da criança, e parece que ela pretende colocar o bebê para adoção.

Em um dado momento ela vai ao hospital fazer um check-up de rotina e quando sai, todo o inferno se solta. Estranhas forças espirituais invadiram a cidade, e aqueles que olham para elas são compelidos, ferozmente e imediatamente, a cometer suicídio.

Enquanto Malorie olha a sua volta, horrorizada, seus vizinhos estão entrando na frente de ônibus em alta velocidade, entrando em incêndios, e estão atirando e se esfaqueando até a morte.

Ela é resgatada por um pequeno grupo que se amontoa dentro de uma casa (parece que os espectros só podem operar ao ar livre), e o resto do filme se desenrola como um conto de sua luta desesperada para sobreviver.

No curso das semanas e meses que se seguem, todo habitante da casa é exposto às aparições e comete suicídio, exceto Malorie, seu filho e a filha de uma das vítimas.

Tendo ouvir falar de um refúgio rio abaixo, a heroína e as crianças partiram, vendadas, de barco.

Depois de uma terrível jornada, duante a qual são ameaçados por inimigos físicos e espirituais, eles encontram o refúgio, que é, compreensivelmente, uma escola para cegos.

Nesse lugar, marcado pelo calor humano e pela beleza da natureza, Malorie parece encontrar o senso de conexão – especialmente com as crianças – de que ela estava sem quando o filme começou.

Entendo completamente o comentário do cineasta de que Bird Box é finalmente sobre o personagem principal descobrir o que significa ser mãe.

Mas o que achei particularmente interessante sobre esse filme é o que está faltando nele – a saber, qualquer referência a Deus.

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Já observei que frequentemente nos filmes de desastres padrão, descrevendo invasões alienígenas ou calamidades naturais, as pessoas quase nunca invocam Deus. Todos se unem, demonstram coragem, encontram reservas internas de força, etc., mas dificilmente pedem ajuda de uma fonte sobrenatural.

No entanto, essa ausência da referência divina foi especialmente chocante em um filme cujos vilões são precisamente forças espirituais malignas – demônios, por assim dizer.

Há um momento trágico/cômico em relação ao início de Bird Box, logo depois que a pequena comunidade se reuniu para proteção. Tentando entender o que está acontecendo, buscando explicações, propondo teorias disso ou daquilo…

Finalmente, um jovem dá voz a uma dispersão desconexa de insights “espirituais” de uma variedade de religiões e mitologias. Quando todo mundo olha para ele com total confusão, ele diz, timidamente: “Peguei isso da internet”.

Eu achei essa cena tristemente emblemática da nossa situação cultural.

Pelo menos no Ocidente, grande parte da religião clássica desmoronou ou se rendeu silenciosamente ao espírito da época, tornando-se mais uma forma de correção política.

E, portanto, diante do verdadeiro perigo espiritual, pouquíssimos têm o arcabouço metafísico para entender o que está acontecendo, ou a vontade moral de combater o inimigo apropriadamente.

À medida que o filme chega ao final, pelo menos relativamente feliz, os sobreviventes têm um ao outro e têm a beleza da natureza, mas a ameaça espiritual permanece muito viva – precisamente porque ninguém sabe o que fazer a respeito.

Bird Box, como mencionei, começou a transmitir logo antes do Natal – em outras palavras, no exato momento em que o filme de Natal mais popular de todos os tempos (nos EUA) passava incessamente.

Enquanto eu assistia “A Felicidade não se compra”, provavelmente, na quadragésima oitava vez (eu sei: alerta de nerd), fiquei especialmente impressionado com a cena de George Bailey na ponte coberta de neve.

Tendo ficado cara a cara com seus piores medos – perda de seu sustento, reputação, fortuna e família -, George orou e, embora demorasse algum tempo para entender completamente o que estava acontecendo, Deus enviou um anjo para ajudá-lo.

Sua crise propriamente espiritual, que levou, de fato, à beira do suicídio, foi resolvida através do uso de meios espirituais.

Os personagens em Bird Box especulam que os espíritos malignos se manifestam como a soma total dos maiores medos de uma pessoa – o que explica o efeito devastador deles sobre aqueles que os veem. Se Deus efetivamente desapareceu, então nossos medos nos sobrecarregarão; ou, na melhor das hipóteses, seremos capazes de mantê-los afastados.

Apreciar a diferença entre a resposta de George Bailey e Malorie ao poder das trevas é apreciar uma certa trajetória descendente em nossa cultura.

O Bispo Robert Barron escreveu esse texto originalmente em seu blog Word on Fire.

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