“Deus existe. Cristo é o Senhor. E Ele estabeleceu a Igreja Católica.”
Foi assim que Joseph “Joe” Schmid anunciou, em agosto de 2026, sua conversão ao catolicismo.
Doutorando em Filosofia na Universidade de Princeton e criador do canal Majesty of Reason, Schmid passou anos examinando argumentos a favor e contra a existência de Deus. Também publicou críticas ao teísmo clássico, à Bíblia e ao catolicismo.
“Meu amigo, conversão é uma mudança de coração e de mente. E foi isso que acabou de acontecer”, explicou no vídeo em que anunciou sua decisão.
Sua trajetória até a Igreja, porém, não aconteceu por causa de um único argumento. Foi um processo de discernimento que começou na filosofia, passou pela investigação de fenômenos que ele considera milagrosos e terminou diante de um sacerdote, em uma confissão geral.
Da infância ao ateísmo
Schmid cresceu em uma família católica devota e estudou em escolas católicas do jardim de infância até o fim do ensino médio. Frequentava os sacramentos, rezava e afirma ter levado a fé a sério até o início da adolescência.
As primeiras dúvidas surgiram quando começou a estudar a teoria da evolução. Inicialmente, conseguiu conciliá-la com a fé católica por meio dos trabalhos de Francis Collins e do instituto BioLogos.
O problema mais difícil, entretanto, era o sofrimento animal durante o processo evolutivo.
Para ele, centenas de milhões de anos de predação, doenças e sofrimento pareciam difíceis de conciliar com a existência de um Deus perfeitamente bom, onipotente e onisciente.
“Esse problema do sofrimento animal evolutivo continuou me corroendo por bastante tempo. Aquilo realmente me incomodava”, contou.
Por volta do décimo ano escolar, abandonou a fé e adotou o ateísmo naturalista. Passou a considerar que a realidade física era tudo o que existia e que o universo era, em seu fundamento, indiferente ao sofrimento e à existência humana.
“Talvez Deus exista”
Schmid começou a rever essa posição ainda no ensino médio.
No verão anterior ao seu último ano escolar, conheceu o canal A Worldview Design, do filósofo cristão Josh Rasmussen. Ali, encontrou argumentos acadêmicos em defesa da existência de Deus que ainda não conhecia.
Depois de assistir aos vídeos, entrou em contato com Rasmussen e manteve com ele uma extensa correspondência ao longo do último ano escolar. Schmid passou a estudar especialmente os argumentos de contingência desenvolvidos por Rasmussen, Alexander Pruss e outros filósofos.
“Percebi que havia muito mais a favor do teísmo do que eu pensava”, recordou.
Ao reconhecer que havia julgado a questão prematuramente, deixou de sustentar um ateísmo confiante. Por volta do fim do ensino médio, passou a se considerar agnóstico — posição que manteve durante a graduação e até os primeiros anos da pós-graduação.
Já na pós-graduação, começou a atribuir mais força a diferentes argumentos em favor da existência de Deus.
Entre eles estava um argumento sobre a chamada harmonia psicofísica, desenvolvido pelos filósofos Brian Cutter e Dustin Crummett. Em linhas gerais, a proposta questiona por que os estados físicos e as experiências conscientes estão relacionados de maneira tão ordenada.
Schmid entrevistou Cutter e apresentou algumas de suas objeções. Depois da conversa, foi dormir com um pensamento diferente:
“Talvez Deus exista, afinal.”
Mais tarde, chamaria esse argumento de “o primeiro dominó” de sua conversão.
A mudança, entretanto, não significou uma adesão imediata ao cristianismo. Ainda havia muitas questões sem resposta: o sofrimento animal, o inferno, o ocultamento de Deus, a diversidade religiosa e problemas que identificava na Bíblia e nos ensinamentos cristãos.
A investigação continuou.
Quando a filosofia levou aos milagres
Durante o segundo e o terceiro anos da pós-graduação, Schmid começou a estudar relatos relacionados a aparições marianas, milagres eucarísticos, curas, estigmas e outros fenômenos extraordinários.
Segundo seu testemunho, alguns desses casos reuniam fotografias, vídeos, exames médicos, radiografias, análises laboratoriais e depoimentos de testemunhas. Ele passou a considerar esse conjunto difícil de explicar apenas como fraude, erro, coincidência ou alucinação.
“Comecei a ser inundado por evidências de fenômenos milagrosos”, afirmou.
Entre os casos estudados estavam as aparições de Fátima, Lourdes e Zeitoun; o Milagre de Calanda; curas associadas à intercessão dos santos; e os chamados milagres eucarísticos de Lanciano, Tixtla, Sokółka, Legnica e Buenos Aires.
Essas são as conclusões apresentadas pelo próprio Schmid. Os casos recebem avaliações diferentes entre pesquisadores, médicos, historiadores, apologistas e críticos. Por isso, devem ser apresentados como fenômenos que ele investigou e passou a interpretar como milagrosos, e não como comprovações científicas aceitas de maneira incontestável.
Entre todos eles, porém, um ocupou lugar especial em sua trajetória: os fenômenos atribuídos a São Pio de Pietrelcina.
“Eu preciso me tornar católico”
Schmid já vinha mantendo longas conversas com o filósofo e apologista católico Ethan Muse sobre suas objeções ao catolicismo.
Em fevereiro de 2026, os dois passaram cerca de quatro horas examinando especificamente os documentos e testemunhos relacionados aos estigmas e aos carismas atribuídos a Padre Pio.
A documentação impressionou Schmid, sobretudo os relatórios médicos, as fotografias, os testemunhos de pessoas que observaram os estigmas, a duração dos fenômenos e as curas atribuídas à intercessão do santo.
“Em fevereiro deste ano, sentei-me com Ethan Muse durante cerca de quatro horas para falar sobre as evidências relacionadas aos carismas místicos de São Padre Pio”, contou.
Para o filósofo, a quantidade de elementos que considerava convergentes tornava cada vez mais difícil explicar o conjunto como uma série de fraudes, erros ou coincidências.
Schmid recorda que chegou a uma conclusão:
“Eu simplesmente não estava disposto a apostar minha alma não apenas em uma conspiração, mas em uma conspiração de conspirações para fazer parecer que o catolicismo era verdadeiro.”
Em entrevista a Matt Fradd, descreveu com ainda mais clareza o momento em que sua conclusão mudou:
“Não há explicações alternativas plausíveis para os dados. Eu preciso me tornar católico.”
Segundo Schmid, aquela conversa o convenceu intelectualmente de que o catolicismo era verdadeiro.
Mas ainda faltava uma coisa: viver aquilo que havia concluído.
Uma confissão geral
A conversão, porém, não terminou numa conclusão filosófica.
No dia seguinte à conversa sobre Padre Pio, Schmid fez um exame de consciência que abrangia aproximadamente uma década de afastamento da fé. Passou entre duas e três horas examinando sua vida e preparando uma extensa lista para a confissão.
No outro dia, procurou um sacerdote e fez uma confissão geral. Segundo recordou na entrevista com Matt Fradd, a confissão durou aproximadamente 45 minutos.
“Fiz uma confissão que abrangia uma década”, contou.
A partir daquele momento, retomou a vida sacramental, passou a frequentar a Missa e começou a rezar o Rosário diariamente.
Para Schmid, esse passo demonstra que sua conversão não foi apenas intelectual.
“Qualquer conversão não tem apenas elementos intelectuais. Ela também tem elementos pessoais e espirituais. Porque conversão não é apenas uma mudança de mente. Conversão é uma mudança de coração”, afirmou.
O testemunho dos santos
A vida dos santos também teve papel importante nessa mudança interior.
Schmid recorda que ficou profundamente marcado pela história de Santa Maria Goretti, particularmente por seu testemunho de pureza e pelo perdão concedido ao agressor antes de morrer.
“Quando refleti sobre essa história, pensei: ‘Esta é uma história profundamente bela de perdão radical, amor radical e pureza radical’”, contou.
Segundo ele, o testemunho da jovem mártir despertou uma “atração magnética” pelo catolicismo.
São Maximiliano Kolbe e São Damião de Molokai também tiveram influência em sua caminhada. Acima de todos, porém, estava a pessoa de Jesus nos Evangelhos.
Schmid disse ter se sentido atraído pela autoridade de Cristo e por sua pregação sobre o amor ao próximo, o perdão e o sacrifício de si mesmo.
Ele também relata ter experimentado, em diferentes momentos, um chamado interior à santidade e uma consciência crescente de seus próprios pecados.
“Você poderia ser santo”, sentia interiormente, embora esclareça que não ouviu uma voz.
Aos poucos, aquilo que antes lhe parecia uma possibilidade que deveria ser temida começou a se tornar algo que ele considerava belo e desejável.
“Em algum momento, você passa de ‘Oh, não! Há tantas evidências a favor do catolicismo’ para ‘Isso é maravilhoso. Isso é tão belo’. Você passa por uma mudança de coração”, explicou.
Seis meses em silêncio
Schmid não anunciou imediatamente sua conversão.
Ele decidiu viver aproximadamente seis meses na vida sacramental da Igreja antes de tornar pública sua decisão. Segundo o filósofo, precisava se preparar espiritualmente para as críticas que poderia receber de amigos ateus, agnósticos e membros da comunidade LGBT, além de pessoas que acompanhavam seus antigos conteúdos.
“Eu precisava ter pelo menos seis meses de vida sacramental na Igreja antes de estar preparado para os ataques espirituais e para as críticas”, explicou.
Nesse período, dedicou-se aos sacramentos, à oração, ao jejum, à penitência e à organização de sua nova atuação pública.
Uma série de 25 horas para explicar a conversão
Para apresentar detalhadamente as razões de sua conversão, Schmid gravou uma série de aproximadamente 25 horas, dividida em três vídeos.
A primeira parte apresenta seu caso filosófico em favor da existência de Deus, abordando argumentos de contingência, ajuste fino, harmonia psicofísica, conhecimento, beleza e experiências religiosas.
A segunda examina os casos que ele considera milagrosos, incluindo Padre Pio, Fátima, Lourdes, Zeitoun, Calanda, curas e milagres eucarísticos.
A terceira responde a explicações alternativas para esses fenômenos e a objeções contra o catolicismo, como o problema do mal, o inferno, questões bíblicas, ensinamentos morais e dificuldades relacionadas ao magistério da Igreja.
A partir da conversão, Schmid pretende direcionar o Majesty of Reason principalmente à defesa filosófica do teísmo e do catolicismo. O canal, porém, continuará publicando debates, entrevistas e conteúdos gerais de filosofia.
“Quero reunir a melhor série de vídeos possível sobre os argumentos a favor da existência de Deus e do catolicismo”, afirmou.
“Uma história de amor”
Depois de tantos anos discutindo racionalmente a existência de Deus, sua busca culminou em algo muito mais simples: uma confissão, uma Missa e um Rosário.
No fim do vídeo em que anunciou sua conversão, Schmid resumiu a trajetória:
“Essa é a minha história de conversão. Em última análise, é uma história de amor. Espero que seja o começo de uma história de amor semelhante para você.”
A história de Joe Schmid começou com dúvidas sobre Deus. Passou pelo ateísmo, pelo agnosticismo, pela filosofia e pela investigação de fenômenos que ele considera milagrosos.
Mas, no fim, seu discernimento não o levou apenas a uma conclusão sobre a existência de Deus.
Levou-o de volta à Igreja.
