[Filme] Mulan: Se fores aquilo que Deus quer, colocareis fogo no mundo

Créditos: Disney/Divulgação

A ideia da nossa Crítica Católica de Filme não é analisar de forma técnica e profissional, nem só falar de boas produções, mas também comentar sobre as que não têm muito a acrescentar (ou que podem até prejudicar) a nossa fé. Não queremos oferecer respostas prontas, e sim reflexões que te ajudem a buscar a santidade até na hora da diversão! Vamos nessa?

Diferentemente dos últimos live-actions feitos pela Disney, Mulan não é tão fiel como o esperado. Na verdade esta versão é inspirada na lenda que deu origem ao filme animado e possui uma “dose maior” de magia. Ela substitui a parte lúdica (grilos de estimação, fantasmas engraçados de ancestrais e dragão falante) por, agora, elementos mais adultos, envolvendo bruxaria e uma tal força “chi” que lembra Star Wars.

O exército inimigo que Mulan tem que enfrentar é auxiliado por Xian Lang, uma mulher que possui o mesmo poder chi de Mulan, mas numa intensidade bem maior. Ela é uma espécie de bruxa ressentida pelas feridas de abandono e rejeição que sofreu no passado.

Nesse ponto, é interessante notar que há uma tentativa de inversão de valores, sobre o que define o bom e o mau. Porém não existe nenhuma bruxaria branca, boa ou inocente, ainda que seja por uma suposta boa causa, afinal, “todas as práticas de magia ou de feitiçaria, pelas quais se pretende domesticar os poderes ocultos para os pôr ao seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – ainda que seja para lhe obter a saúde – são gravemente contrárias à virtude de religião”. (Catecismo da Igreja Católica, 2117).

Mas tirando o ocultismo, a situação da personagem nos faz pensar sobre uma grande verdade sobre nós, seres humanos: todos temos a necessidade de nos sentir aceitos onde estamos e sempre existirá a vontade de pertencer a algo.

A boa notícia é: Deus nos fez livres para escolhermos que caminho seguir; que vocação aderir, que trabalho exercer, que atitudes tomar e etc. Os cristãos são chamados a dar um sentido sobrenatural a todas as coisas, desde que sejam para a glória de Deus e para a sua santificação.

É claro que por ser uma produção atual (inserida num contexto de ideologias), vamos sim encontrar traços de um pensamento “empoderado” e feminista da mulher, principalmente em relação a Mulan; mas no fundo, sabemos que faz parte do ser humano este anseio de fazer da vida algo grande, como diria São João Paulo II.

Todas as motivações que existem em nosso coração pode ser canalizadas para o bem, como explica a frase de Santa Catarina de Sena: “Jovens, se fores aquilo que Deus quer, colocareis fogo no mundo”, desde que não esqueçamos que antes dos nosso sonhos ou anseios, existe um grande plano de Deus para nós, o que Santa Teresinha compreendeu bem quando disse: “eu sou aquilo que Deus pensa de mim”.

Uma das partes mais fortes e importantes do filme, no entanto, é a temática das virtudes. É bonito ver toda a nobreza que existe no coração de homens e mulheres que querem, acima de tudo, lutar pelo seu país, pelos seus e por aquilo que acreditam. Sem dúvidas, a coragem, a lealdade e a verdade precisam ser exaltadas sempre mais numa cultura relativista e descartável como a que vivemos hoje.

E claro, a família. Mulan traz isso de forma simples e bela ao retratar o amor entre pais e filhos e o constante desejo de amar e cuidar, algo que hoje, infelizmente, vem se perdendo. A caridade em acolher ao invés de julgar, chorar junto, sofrer junto, se alegrar junto. Este é um grande valor que podemos tirar do filme. Um belo exemplo do mandamento “honrar pai e mãe” e a importância da família na formação do caráter e dos princípios.

O filme tem pontos a serem questionados, mas no geral, traz uma mensagem bonita de doação e oferta, e não a toa, Mulan é considerada uma heroína: porque põe a própria vida em risco por causa de um sacrifício maior. E nisto consiste o chamado cristão: o martírio da vida diária por amor Àquele que, por nós, fez o maior sacrifício de amor da história.

Contém: cenas de violência; ocultismo.

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Victoria Arruda é jornalista, ama filmes, livros, música, teologia, política e... pizza. Escreve sobre coisas aleatórias, pra combinar com suas preferências pessoais.