Novo filme de Brad Pitt nos aponta um caminho para Deus

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O Papa Bento XVI disse uma vez que “a voz de Deus não se reconhece no barulho”, e certamente essa frase pode nos ajudar a compreender um filme não somente pela mensagem que ele quer passar, mas ir além do “óbvio”. Se formos um pouco sensíveis, poderemos enxergar nos espaços ordinários da sociedade canais diretos por onde Ele nos fala; e o cinema com certeza pode ser um desses lugares.

Ad Astra – Rumo às Estrelas não é o pioneiro em Hollywood a trazer o espaço sideral como cenário para falar das inquietações humanas e fazer reflexões sobre valores e dilemas. Mas por quê? Talvez este lugar de aparente solidão e silêncio possa ser propício para esquecer as preocupações externas e voltar-se para si mesmo, de onde surgem as verdadeiras inquietudes do ser humano.

O filme conta a história de Roy McBride (Brad Pitt), um astronauta que recebe a missão de viajar pelo interior do sistema solar para reencontrar o pai, desaparecido desde uma viagem à Netuno vinte anos antes. Conhecido pela frieza e calculismo diante das mais variadas situações, ele vai aprendendo a reencontrar suas fragilidades ao olhar para sua história e seu passado, quando muitas angústias começam a surgir, algumas inclusive causadas por essa ausência paterna.

Na exortação apostólica Amoris Laetitia, o Papa Francisco fala que em cada família há funções e tarefas para o homem e a mulher, para que se favoreça o amadurecimento da criança. Além disso, menciona que na sociedade atual a figura do pai parece estar cada vez mais distante, por estar “tão concentrado em si mesmo e no próprio trabalho ou então nas próprias realizações individuais que até se esquece da família”. Esta falta com certeza deixa consequências e feridas, como se pode ver na vida do personagem e na de tantas outras pessoas na vida real. Em tempos tão confusos como os de hoje, é essencial lembrar do valor do pai na formação da pessoa e, principalmente, seu papel na família.

Uma das questões que também se sobressaem no filme é a solidão, em dois sentidos. McBride tem dificuldades em expressar seus sentimentos e principalmente em deixar com que os outros entrem na sua vida, por isso mesmo estando perto das pessoas, está sempre distante, algo perigoso, pois o homem foi criado por Deus para estar em comunidade, para ter quem cuidar e amar, e também deixar-se tocar pelo outro; este isolamento pode gerar egocentrismo e narcisismo, ou seja, colocar-se no centro da própria vida e não deixar espaço para o Outro que é Deus e para os outros que estão ao redor. Mas também existe uma “sadia” solidão, esta que permite silenciar os barulhos do mundo e sozinho se possa ouvir a voz de Deus. Como diz Santa Teresa D’Ávila, rezar é “estar muitas vezes a sós com Quem sabemos que nos ama”, e dessa relação surgem frutos de autoconhecimento, maturidade e caridade.

No mais, não espere um roteiro movimentado e com muita ação -apesar de ter seus momentos-, mas o longa é uma ótima oportunidade para refletir sobre a relação que queremos ter com Deus com o próximo. O caminho para Netuno é longo, mas é o suficiente para perceber que o passado não tem a última palavra, cabe a você decidir quem você quer ser. A partir de agora.

Sobre qual filme você gostaria de ter um olhar diferente? Envie sua sugestão pelos comentários ou pelo instagram @victoriarruda.

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Victoria Arruda
Victoria Arruda é jornalista, ama filmes, livros, música, teologia, política e... pizza. Escreve sobre coisas aleatórias, pra combinar com suas preferências pessoais.