Padre brasileiro ordenado pelo Papa Francisco explica porquê pediu para abençoá-lo

Créditos: EWTN

No domingo do Bom Pastor, o Papa Francisco ordenou nove sacerdotes na Basílica de São Pedro. E uma imagem em especial comoveu as redes sociais: ao beijar a mão de um deles, o novo padre fez um gesto para o Papa, pedindo para abençoá-lo. Mas você sabia que ele é brasileiro?

Trata-se do Pe. Mateus Henrique, nascido em Afogados da Ingazeira (Pernambuco). Há sete anos ele estava morando em Roma para estudar no Seminário de Nossa Senhora do Divino Amor.

Em entrevista ao portal ACI Digital, o sacerdote explicou o motivo dele ter pedido para abençoar o Papa Francisco ao final da missa.

Padre brasileiro ordenado pelo Papa Francisco explica porquê pediu para abençoá-lo

Sim, a primeira bênção sacerdotal do Pe. Mateus foi dada para… o Santo Padre! Ele conta que não sabia que as câmeras estavam filmando e explica como tudo aconteceu.

“Primeiramente, depois de termos tirado a foto oficial, o Papa começou a beijar a mão dos neo-sacerdotes, como é de costume. No final de ordenações sacerdotais, o celebrante e os fiéis se aproximam do recém ordenado para lhe beijar as mãos, é normal”.

E continua: “Mas, quando chegou a minha vez, eu me aproximei e perguntei se podia dar-lhe minha primeira bênção como sacerdote e ele disse que sim”.

“Na ordenação sacerdotal, em todas elas, depois que o bispo unge as mãos do sacerdote, e as amarra com o manutérgio, que é um paninho que envolve as mãos unidas do padre depois de o bispo as ungir com o óleo do crisma. O bispo faz uma espécie de nó naquele paninho e o neo-sacerdote vai até os seus pais, quem desatam aquele nó e limpam o excesso de óleo das suas mãos. Depois deste momento, o sacerdote dá aos seus pais, que lhe deram a vida, a sua primeira bênção. E os meus pais não estavam presentes na Basílica de São Pedro no dia da minha ordenação. Eles foram impedidos de viajar a Roma precisamente por causa da pandemia”, explicou.

“Então eu pensei, o Papa que é bispo de Roma, é também quem me gerou para o sacerdócio. Meus pais me deram a vida, mas quem originou para o sacerdócio foi o bispo de Roma, o bispo que me ordenou. Então pensei que não havia nada mais justo, dado que que meus pais não estavam presentes, do que dar a minha primeira bênção a quem me gerou no sacerdócio“.

“E assim, espontaneamente, eu fiz a pergunta: ‘Santidade, posso dar-lhe minha primeira bênção sacerdotal?’. E ele, com sua característica humildade consentiu, inclinou a cabeça e eu lhe dei a bênção. Eu sei que em termos de hierarquia, este gesto não diz nada… Eu sou um padre recém-ordenado e ele é o Romano Pontífice; eu sou um grão de areia, ele é a rocha, a Rocha da Igreja, Pedro”.

“Mas, o Papa Francisco sempre frisa a necessidade de rezarmos por ele, e nada mais carregado de oração do que as ‘primícias’, como vemos no exemplo das primícias de Abel na Bíblia. O que quis fazer, foi oferecer minhas primícias, minha primeira bênção ao Vigário de Cristo, para que seu ministério seja mais abençoado. Pelo fato dele ter me gerado para o sacerdócio, eu quis oferecer-lhe minhas primícias, minha primeira bênção enquanto sacerdote”.

Emocionante, não?

Pe. Mateus relatou que sentiu sua vocação florescer quando ainda era adolescente, ao ajudar trabalhar para um idoso.

“Ele tinha mais de 70 anos na época. Eu tinha 15 anos e fui recomendado para ser seu digitador. Entretanto ele me deu tarefas pouco comuns: você reza comigo, trabalha e depois reza comigo o rosário. Nós líamos a Palavra de Deus, trabalhávamos, depois rezávamos o terço, e, eventualmente íamos juntos à missa“, relembrou.

“Ao longo da experiência, eu sentia ali que alguma coisa estava mudando. O que era para mim uma obrigação de trabalho se tornou uma necessidade, um hábito de vida, de rezar antes de trabalhar. Ali eu sentia que o Senhor estava me chamando a algo… que aquele senhor não estava ali por acaso. Foi quando comecei a frequentar os encontros vocacional da diocese, e com meu pároco comecei meu discernimento vocacional”.

“Em 2010 iniciei o propedêutico e fui estudar filosofia em Recife e foi ali que conheci o carisma de Nossa Senhora do Divino Amor, fazendo pastoral com as pessoas carentes. Conheci as irmãs, cujo instituto tem sede em Roma e elas me apresentaram o carisma do Divino Amor”, conta.

“Em 2013 começou um discernimento pessoal e logo veio o pedido ao bispo para me desligar da diocese, para entrar na Congregação do Divino Amor. Assim, em 2014 fui para Roma para continuar conhecendo o carisma e realizar os estudos de teologia na Universidade Lateranense, sendo ordenado diácono em outubro passado e no último domingo, sacerdote”.

Rezemos pelas vocações!

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