Por causa de “carnaval”, padre pede ajuda à polícia para conseguir celebrar missa de Páscoa

Créditos: Youtube/Reprodução

O padre Lídio José Torres, administrador paroquial da paróquia Santo Amaro, em Paripueira, Alagoas, queria celebrar a Vigília Pascal na noite de sábado (16) junto com sua comunidade de fiéis, mas simplesmente havia um bloco carnavalesco no local. Sem conseguir dar início à cerimônia, ele precisou pedir para a polícia intervir!

Por causa de “carnaval”, padre pede ajuda à polícia para conseguir celebrar missa de Páscoa

A Vigília estava marcada para às 20h, mas ainda após 20h40, o trio elétrico e a festa ainda continuavam na rua da paróquia. No momento, acontecia o show da banda ‘É o Tchan’.

O sacerdote registrou o momento em vídeo, em que ele afirma: “Eu vou até o trio agora que quer atrapalhar a Páscoa da gente. Pediria a oração de vocês”. Ele então vai até os policiais militares, pedindo ajuda para “conseguir celebrar a missa”. A esta altura, muitas pessoas já estavam deixando a igreja.

Pe. Lídio pede ainda respeito ao povo católico, que também quer ter liberdade para exercer a sua fé. “Era preciso que a gente pudesse dizer alguma coisa. Até que horas ia ficar esperando aqui com mais de 500 pessoas para celebrar a Páscoa?”

Veja o vídeo:

A festa de carnaval não aconteceu no período correto devido à pandemia, então muitas cidades transferiram a festa para o “feriadão” que vinha a seguir, que na verdade era justamente a Semana Santa!

Na segunda-feira (18), Pe. Lídio emitiu uma nota de esclarecimento em que diz ter buscado a prefeitura ao saber do horário em que seria realizada a festa, com medo das “dificuldades que o evento poderia acarretar para a missa da Vigília Pascal”. E que havia sido acordado que o show terminaria às 19h.

Mas não foi o que aconteceu, e após tentar várias vezes entrar em contato com o prefeito, ele conta que “não restou alternativa senão” pedir ajuda aos policiais, uma vez que ele não queria ter que cancelar a celebração da Vigília Pascal.

“A pedido dos católicos e sob pressão do cancelamento da Santa Vigília Pascal, buscou-se o apoio policial para interlocução, já que, do que foi informado, a banda desconhecia o horário de encerramento da apresentação”, explicou.

O sacerdote ressaltou, no entanto, que a paróquia recebe apoio da prefeitura para realizar seus eventos, “sobretudo recentemente para a encenação da Paixão de Cristo e celebração das solenidades festivas”. Então “não condizem com a realidade dos fatos” as afirmações “de que a gestão municipal atuou deliberadamente para prejudicar os festejos pascais”.

“A paróquia entende ser função do gestor equilibrar os interesses da população, entretenimento e exercício do culto. E foi justamente para que o direito de celebração de culto fosse respeitado e para fazer valer o próprio apoio da prefeitura (na conciliação de ambos os eventos) que agiu a paróquia de Santo Amaro”, esclareceu.

A Arquidiocese de Maceió (AL) divulgou uma nota assinada pelo Arcebispo Dom Antônio Muniz Fernandes, em que ele lamentou a “total afronta ao povo católico e às Igrejas perpetrada pela prefeitura municipal de Paripueira, ao promover carnaval fora de época exatamente na Semana Maior para os cristãos”.

Certamente os mesmos homens e mulheres públicos e políticos, que autorizaram esse evento e tantos outros semelhantes, chegarão as nossas portas para pedir votos no próximo pleito eleitoral. Saberemos responder com a ajuda de Deus e a orientação da Igreja a essa vil e covarde atitude“, afirmou Dom Antônio.

Em nota, a prefeitura de Paripueira afirmou que o show não terminou às 19h como previsto devido a um problema no trio elétrico, que fez com que o evento começasse atrasado; mas que ao ser procurado pelo padre, o evento foi logo encerrado. E que foram tomados “os cuidados necessários para evitar qualquer incômodo para a igreja e os fiéis”.

O documento diz ainda que a prefeitura “ofertou toda a estrutura (como tendas, som, iluminação e etc) para que a programação religiosa fosse realizada e que jamais faria qualquer coisa que pudesse prejudicar o momento de fé e devoção”.

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Victoria Arruda é jornalista, ama filmes, livros, música, teologia, política e... pizza. Escreve sobre coisas aleatórias, pra combinar com suas preferências pessoais.