Cobrir as estátuas é uma tradição própria do Tempo da Paixão. Mas o que esse período realmente significa e por que é vivido dessa maneira?
Segundo a Catholic Answers:
“Tempo da Paixão: as duas semanas entre o Domingo da Paixão e a Páscoa. A última semana é a Semana Santa, enquanto a primeira é chamada pelos latinos de ‘Hebdomas Passionis’ e pelos gregos de ‘Semana das Palmas’ (por causa do domingo seguinte).”
O Tempo da Paixão começa no quinto domingo da Quaresma e se estende até o Sábado Santo.
Durante esse período, diversas tradições são vividas pela Igreja. Uma das mais marcantes é o costume de cobrir estátuas, crucifixos e outras imagens sagradas.
Mas por quê?
De forma geral, essa prática ajuda os fiéis a se concentrarem mais intensamente em Cristo e no mistério de sua Paixão, preparando o coração para a Ressurreição.
Ainda assim, esse costume pode gerar questionamentos. Alguns chegam a perguntar: “Por que nosso foco não está sempre em Jesus?”, sugerindo que a Igreja daria mais atenção aos santos ou à Virgem Maria.
Mas essa interpretação não corresponde à realidade.
Na verdade, essa tradição é um convite a mergulhar ainda mais profundamente em Cristo.
Durante o Tempo da Paixão, muitas igrejas cobrem as cruzes até a Sexta-feira Santa, enquanto as demais imagens permanecem veladas até a Vigília Pascal. Em algumas paróquias, essa prática se concentra apenas na Semana Santa.
O sentido desse gesto é profundamente espiritual: trata-se de permitir que o silêncio fale, que a ausência seja percebida e que o coração se disponha de maneira mais intensa para contemplar o mistério da Paixão.
Não se trata de esconder Cristo — mas de preparar o coração para encontrá-lo de forma mais profunda.
Ao cobrir as imagens, a Igreja retira, por um momento, a beleza visível. E, com isso, convida os fiéis a contemplarem uma beleza que agora se encontra oculta: a de Cristo sofredor, ferido e prestes a se entregar por amor.
Até mesmo a cor dos véus carrega significado.
O roxo expressa, ao mesmo tempo, penitência e realeza — lembrando que Cristo é Rei, mas um Rei coroado de espinhos. E que, antes da Ressurreição, há necessariamente a Cruz.
Portanto, essa tradição não diminui a centralidade de Cristo. Pelo contrário: é uma forma intensa de meditar sobre Ele.
Ao velar as imagens, a Igreja nos convida a silenciar, a desapegar das distrações e a fixar o coração no essencial: o mistério da Paixão, que antecede a glória da Ressurreição.
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