Uma visão católica sobre o filme “Mulher-Maravilha 1984”

Créditos: Divulgação

A ideia da nossa Crítica Católica de Filme não é analisar de forma técnica e profissional, nem só falar de boas produções, mas também comentar sobre as que não têm muito a acrescentar (ou que podem até prejudicar) a nossa fé. Não queremos oferecer respostas prontas, e sim reflexões que te ajudem a buscar a santidade até na hora da diversão! Vamos nessa?

A sequência de Mulher-Maravilha traz a heroína imortal Diana agora vivendo nos anos 1980, fisicamente igual, porém com muitas memórias do passado e ainda sentindo os efeitos de suas perdas. Ela nunca conseguiu, em especial, superar a morte do seu amado Steve Trevor, que sacrificou a sua vida na guerra durante o primeiro filme.

O enredo da história se desenrola após a chegada de uma antiguidade ao museu onde Diana trabalha, em Washington D.C. O artefato, que é uma espécie de “lâmpada do gênio”, realiza desejos de quem a tocar.

Temos então uma série de eventos causados por esta “peça mágica”, que no início parece ser uma coisa boa, mas acaba trazendo muito caos e confusão ao mundo inteiro, especialmente por causa do personagem Maxwell Lord. Sem falar dos pormenores da história, este é um ponto que ilustra bem a relação do homem com o pecado. Após a queda de Adão e Eva, o ser humano passou a trazer em si a concupiscência, ou seja, uma inclinação ao mal. E como podemos ver isto no filme?

Ao encarar uma possibilidade de realizar qualquer desejo, não é difícil de imaginar que o ser humano possa ficar cada vez mais sedento pelo poder e pela ganância. Nada nunca é o suficiente, quanto mais se tem, mais se quer. É um ciclo vicioso que acaba levando à própria destruição. Mas isto pode ser explicado. Santo Agostinho disse uma vez que “fomos criados para Deus e o nosso coração inquieto estará enquanto em Deus não repousar”. Isto significa que, não importa o quanto sejamos felizes nesta vida ou tenhamos tudo o que sonhamos ter, existirá sempre um vazio em nosso coração que não pode ser preenchido, pois pertence somente a Deus.

Podemos fazer deste “vazio” algo bom, que nos impele durante toda a vida a buscar a Deus, por meio da Igreja, dos sacramentos, da oração, da caridade etc, como os grandes santos fizeram. Mas também podemos tornar este vazio uma grande ocasião de pecado, pois vamos buscando preenchê-lo com as coisas, situações e pessoas. E nos frustramos, porque, não importa o que façamos, nunca estaremos satisfeitos.

Você pode estar pensando: mas e como a Mulher-Maravilha entra na história? Bem, a criação da personagem se deu justamente para ser uma ‘alternativa’ aos filmes de super-heróis que traziam apenas lutas e ação. Há uma mensagem de esperança e generosidade trazida por Diana a este caos. E uma forte mensagem. “A verdade é suficiente. A verdade nos basta”, diz ela.

A verdade é um valor que está intrínseco na amazona, e é justamente a primeira cena do filme que vai nos fazer compreender isso. Por isso, quando for assistir, preste atenção no emocionante discurso que Diana faz (você saberá do que estou falando). Quando todo o mundo parecer não ter sentido, a Verdade bastará. E esta é uma valiosa lição que podemos tirar deste filme. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, disse Jesus.

Algo que também vemos de forma muito clara no filme é a exaltação do sacrifício em vista do bem comum, a abnegação de si e de suas vontades para que o Bem e a Verdade vençam. Esta é, definitivamente, uma mensagem que não se vê com frequência nesta sociedade de hoje, tão preocupada com seu próprio conforto e egocentrismo. Mas se existe alguém que entendeu (e viveu) como ninguém este amor que é capaz de tudo, inclusive de dar a vida, foi Jesus Cristo. Ele, a Verdade, nos ensina a olhar para onde realmente importa e dar a vida pelo que vale a pena.

Sobre a produção em si, tem um roteiro um pouco parado em alguns momentos e poderia durar menos tempo. As cenas de ação e os efeitos especiais não fazem brilhar os olhos, mas como um todo, é um filme que vale a pena ser visto, pois se soubermos olhar os pequenos detalhes, vamos perceber na tela que o melhor e o pior no ser humano podem muito bem também existir em nós. O que terá mais força? Esta é a verdadeira batalha que precisamos lutar. Todos os dias.

Contém: violência; insinuações sexuais.

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Victoria Arruda
Victoria Arruda é jornalista, ama filmes, livros, música, teologia, política e... pizza. Escreve sobre coisas aleatórias, pra combinar com suas preferências pessoais.